segunda-feira, 16 de novembro de 2009
Simples, o de sempre.
Cansa toda essa coisa inútil
De esperar e ter preguiça
De não chegar a lugar nenhum
De planejar alguma coisa amorfa
De fingir não saber de nada
De levantar e se mexer
De pensar, de pretender
De dramas estúpidos, gente leite com pêra
De ouvir baboseira
De fingir que isso presta pra alguma coisa
De achar que talvez exista alguma coisa
De ficar doente
De ficar doente
De tomar remédios
De não poder sentir frio
De não poder encher a cara
De encher a cara
De estomago revirando
De sentir peles e cheiros, calor...
De cabelos molhados e catarro no pulmão
Encoste em mim, e eu... não encoste em mim.
De ouvir sobre essa merda de gestão
De respirar.
De respirar...
Admita velho careca, você não sabe de nada.
alternativas
Ele tem várias alternativas
O garoto das opções...
E você, não está em nenhuma delas.
My darling cruises the streets for pleasure
Skyscrapers in the dead love dawn
Throbbing blood mind selfless creature...
Antenna, Sonic Youth
O garoto das opções...
E você, não está em nenhuma delas.
My darling cruises the streets for pleasure
Skyscrapers in the dead love dawn
Throbbing blood mind selfless creature...
Antenna, Sonic Youth
Petulantes no Cefet

... Ouvindo London Calling. Lembro bem quando comprei esse Cd no sebo, eu tava no Cefet. Eu não gostei de todas as músicas de cara, mas fui gostando aos poucos. Hoje gosto muito de todas.Lembro bem do período: se trancar no quarto, rabiscar umas coisas e ouvir música. Lembro de Hateful. Hateful era o segundo ano. Hateful era pra mim. Era pra gente.
Era o segundo ano. 16 anos e total apatia. Eles não gostavam da gente, e daí? Que se fodam! Temos coisas mais importantes pra fazer. Planejar grandes golpes, ser detestáveis, encher a cara e simplesmente não ligar pra nada. Ser fumaça. Éramos a turma da fumaça, incomodávamos, mas eles se mantinham longe.
Se você olhasse para nós, ia ver um bando de trombadinhas de calças rasgadas e tênis estourados dizendo: “Cuidado ae!”
Oh sim, nós sabíamos de tudo.
E meu pai dizia: “Vocês não sabem nem por onde a galinha mija.”
E eu pensava: Velho chato... velho tongo...
¿meu pai era velho?
Sei que devo agradecer. Devo agradecer a tudo que me proporcionou essa tão “riot” adolescência. Quero agradecer, acima de tudo, a Adriane Coordenadora do Ensino Médio Cefetiano, que para mim correspondia ao Imperador Palpatine.
Agradecer a ela e a todos os professores carrascos, ao Cefet por suas normas tão absurdas e opressoras, pois tudo isso me proporcionou viver a revolta na idade certa: dos 14 aos 18. Perfeito.
Ser punk de verdade, você era no Cefet. Em lugar nenhum do mundo você pode citar Rousseau com tanta veemência quanto com 16 anos no Cefet. Ser perseguido e colar coisas insolentes na parede, tirar fotos mal criadas em uma igreja... Se drogar e encher a cara. Ser junkie era junkie no Cefet. No future. Ser subversivo era ser subversivo no Cefet. Um lugar onde roubar ameixas era infração gravíssima, imagine a alegria em disparar extintores, xingar e acabar com chapas malhação, levando polacas a loucura e a arrancar muitos cabelos. “A Sarcina”.
Quero agradecer a toda essa gente educadora de espírito opressor por me proporcionar a verdadeira oportunidade de ser uma adolescente revoltada. Vivi e fui feliz.
Hoje desconfio que o Cefet é assim porque sabe que tudo que adolescentes precisam, além de sexo drogas e rock’n roll, é opressão para poderem se revoltar.
Os melhores anos, os melhores filmes, as melhores musicas, os melhores livros, as melhores festas, as piores dores de estomago, os melhores traumas, os maiores corações partidos, meus melhores neurônios, meu melhor fígado...
Obrigada cefetão.
segunda-feira, 2 de novembro de 2009
"...all that is left is all that I hide..."
Tudo o que você pensa pode ser aplicado em círculos. São círculos na sua vida.
Ela tinha quase certeza disso, mas odiava matemática.
Isso não tem nada a ver, mas suas suposições seguiam formulas impecavelmente imaginadas e criadas por dedução, baseadas em seu passado.
Estava tudo ali, e se fosse alguns anos antes, estaria pulando de felicidade. Poderia se imaginar que isso era tudo que queria.
Queria...
...no passado
Quer não quer não
Bolas coloridas são leves, passam como se você nem sentisse e quando percebe já está no fim
De novo.
Tudo que se pode esperar é que as formulas inventadas funcionem pra ela. Se isso realmente acontecer, podemos esperar que algo logo irá lhe puxar pra fora do desespero tedioso. Ansiedade.
Está tudo no lugar de espera para o grande pulo. As coisas mudam e agora não é o bastante.
Se tudo se repetir, então, ela estará salva.
Porém, com alguns anos a mais.
Para sempre
Ela tinha quase certeza disso, mas odiava matemática.
Isso não tem nada a ver, mas suas suposições seguiam formulas impecavelmente imaginadas e criadas por dedução, baseadas em seu passado.
Estava tudo ali, e se fosse alguns anos antes, estaria pulando de felicidade. Poderia se imaginar que isso era tudo que queria.
Queria...
...no passado
Quer não quer não
Bolas coloridas são leves, passam como se você nem sentisse e quando percebe já está no fim
De novo.
Tudo que se pode esperar é que as formulas inventadas funcionem pra ela. Se isso realmente acontecer, podemos esperar que algo logo irá lhe puxar pra fora do desespero tedioso. Ansiedade.
Está tudo no lugar de espera para o grande pulo. As coisas mudam e agora não é o bastante.
Se tudo se repetir, então, ela estará salva.
Porém, com alguns anos a mais.
Para sempre
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
Só foi um dia ruim para ele
Só foi um dia ruim para ele.
Jhonny era um cara legal e bonito, então porque só foi um dia ruim para ele?
E era tão complicado que existissem tantas qualidades de uvas, e tantas qualidades de maçã. Quem foi que teve a coragem de fazer isso?
Às vezes o corpo dele ficava tão pesado, que acabava caindo para frente onde quer que estivesse. Na carteira do colégio, direto para o chão de um salão cheio de balões pintados de felizes, direto para cama, por cima dela, com a cara no asfalto.
Só foi um dia ruim para ele.
Jhonny, Jhonny. Jhonny só queria um abraço, mas hoje dormiu na terra.
Só foi um dia ruim para ele, mas agora as minhocas entendiam bem seu ponto de vista. Como alguém podia ser tão legal???
Jhonny acordou no outro dia. Escolheu as frutas que talvez nem fossem suas, mas eram precisas. Jhonny caiu. Jhonny sentiu frio e voltou para as minhocas. Só foi um dia ruim para ele.
Jhonny acordou no dia seguinte.
Só foi um dia ruim para ele.
Jhonny acordou no dia seguinte.
Só foi um dia ruim para ele.
Jhonny acordou no dia seguinte.
Só foi um dia ruim para ele.
Jhonny tinha uma corda, mas sabia respirar. Jhonny ainda sonhava com cordas mesmo assim.
*Originalmente postado em 12 de Novembro de 2006, em www.naomesquecerderespirar.blogspot.com.
Mais precisamente NESTE LINK
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
I would love to love you lover
É quando você rasga metade da sua boca
Você arranca a pele com força e o sangue jorra,
Why can’t I get, just one kiss??
E você ri
Why can’t I get, just one screw???
Escorre pelo queixo e você ri
Why can’t I get, just one fuck????
Dói, mas você ri
Believe me I know what to do
But something wont let me make love to you.
Não sabe não. Você só saber rir.
…
You Know you got my sympathy
But don’t shoot shoot shoot that thing at me
…
Só não bata no rosto.
*Add It Up, Violent Femmes
quarta-feira, 16 de setembro de 2009
Mudando para melhor.
Você tem mais ou menos nove anos, está no mercado com sua mãe comprado o jantar, quando de repente, avista aquele super jogo novo, radical, legal e colorido.
Você fica louco, pula em volta do carrinho, faz uma voz doce e chorosa para tentar convencer sua mãe. Faz promessas. Se ajoelha e pede por favor repetidas vezes, com toda a habilidade e talento que a vida lhe conferiu.
Então, sua mãe comovida, porém ainda um pouco desconfiada, lhe diz:
- Se eu comprar o jogo, você promete dobrar seu uniforme?
E você, confiante que sim, querendo acreditar naquilo e realmente acreditando que você o fará, responde sinceramente:
- Sim mãe! Eu prometo!
E mesmo querendo muito que fosse verdade, mesmo querendo muito dobrar o uniforme, você sabe que isso não vai acontecer.
- Ta bom! Ponha no carrinho, mas olhe, lembre-se de cumprir sua promessa.
-Uhu! Brigado mãe, eu juro que vou cumprir.
E sua mãe, feliz em ver sua alegria, acredita e quer acreditar, ela realmente quer acreditar que você vai dobrar o uniforme... Sua cria tão bonita e pura...
Mas você não vai. E ela também sabe disso.
E você não dobra. E ninguém lembra disso.
Ela vai te xingar por não dobrar o uniforme, vai te dar uma surra, mas não vai lembrar da promessa. Nem você.
E você nunca vai dobrar o uniforme, porque isso é para idiotas que cumprem as promessas que fazem às suas mães. E que lembram delas ainda por cima.
As pessoas nunca dobram o uniforme. Você conhece elas, e sabe disso. Elas não mudam, só falam em dinâmicas de grupo, e ainda por cima o que leram em algum folheto, ou o que aprenderam em algum seriado americano que passa depois do almoço, engraçado e cheio de comoventes lições de vida.
Mesmo assim, ninguém vai dobrar o uniforme.
Você nunca vai dobrar seu uniforme.
Nunca.
- ... Talvez o pequeno príncipe dobrasse...
- ... O pequeno príncipe não existe. E ele não é uma pessoa...
- ... São hastes ...
*Originalmente postado em 09 de Agosto de 2006, em www.naomesquecerderespirar.blogspot.com. Mais precisamente NESTE LINK
quarta-feira, 19 de agosto de 2009
Esperar e odiar
Você só precisa perceber como isso é estúpido. É tão estúpido. Há tantos sinais e há tanto tempo.
Tão obvio que você morre de vergonha, só de pensar.
Nunca deu certo, de qualquer maneira. Só para relembrar seu passado pessimista, uma roda cinzenta que não chega a lugar nenhum.
À noite as coisas funcionam de trás para frente. Eles precisam girar o botão para ligar-la, para alguma coisa funcionar dentro de sua carcaça apática.
Há coisas que não devem ter continuidade. São instantâneas. Uma vez e tudo estará acabado.
Não existe tempo além do espaço desenhado que você tanto esperou. Aqueles minutos que você tanto espera, imagina, e você sabe, não vai sobrar mais nada.
Nós odiamos esperar por isso.
Ela odeia esperar por isso.
Eu odeio esperar por isso.
Ele me odeia.
Eu te odeio.
Eu te odeio.
Eu te odeio por existir e sorrir pra mim.
=D
Eu realmente te odeio.
^^
.
Sente do meu lado, nós somos amigos! E você não pode imaginar como isso é realmente divertido.
A qualquer hora, você sabe, a qualquer hora isso vai acabar com tudo. De novo.
.
Tão obvio que você morre de vergonha, só de pensar.
Nunca deu certo, de qualquer maneira. Só para relembrar seu passado pessimista, uma roda cinzenta que não chega a lugar nenhum.
À noite as coisas funcionam de trás para frente. Eles precisam girar o botão para ligar-la, para alguma coisa funcionar dentro de sua carcaça apática.
Há coisas que não devem ter continuidade. São instantâneas. Uma vez e tudo estará acabado.
Não existe tempo além do espaço desenhado que você tanto esperou. Aqueles minutos que você tanto espera, imagina, e você sabe, não vai sobrar mais nada.
Nós odiamos esperar por isso.
Ela odeia esperar por isso.
Eu odeio esperar por isso.
Ele me odeia.
Eu te odeio.
Eu te odeio.
Eu te odeio por existir e sorrir pra mim.
=D
Eu realmente te odeio.
^^
.
Sente do meu lado, nós somos amigos! E você não pode imaginar como isso é realmente divertido.
A qualquer hora, você sabe, a qualquer hora isso vai acabar com tudo. De novo.
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segunda-feira, 17 de agosto de 2009
Despretensiosamente
Ser enganado com doces pelo menos é gostoso.
As coisas não valem tanto assim
Alguns tesouros não valem nada. Só na tua cabeça, meu bem, eles brilham polidos com cuspe. Cuspe cerebral.
Logo entregarei o escrito: "Como viver sem constrangimentos". Algo muito útil para se levar por aí. Despretensiosamente.
E como é mais válido não prolongar martírios sem sentido.
Demonstração gratuita de vagabundagem.
Despretensiosa.
Mente.
As coisas não valem tanto assim
Alguns tesouros não valem nada. Só na tua cabeça, meu bem, eles brilham polidos com cuspe. Cuspe cerebral.
Logo entregarei o escrito: "Como viver sem constrangimentos". Algo muito útil para se levar por aí. Despretensiosamente.
E como é mais válido não prolongar martírios sem sentido.
Demonstração gratuita de vagabundagem.
Despretensiosa.
Mente.
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quinta-feira, 13 de agosto de 2009
Lição de Vida. A pedidos.... hoho
Texto produzido a partir de tema proposto por Paulo: "Escreva um texto com lobisomens alienígenas gays fazendo isso tudo aí". E aí está o texto:
Era uma vez um Lobisome Alienígena Gay que fazia tudo que você pode imaginar. E quando eu digo tudo, digo que você ficaria surpreso!
O peludinho em questão, era muito esclarecido sobre as coisas da vida, como também das da morte. Andava para os lados sem problemas, como se estivesse em elevadores laterais imaginários.
O problema, é que apesar de ser super prafrentex , cabeça aberta, hype e século XXI, ele tinha um problema: ainda assim, sofria das coisas do coração. Além de ser hipertenso, era dramático.
Pobre, se emocionava ao ver as larvinhas de Aliens explodindo vorazmente o peito de seres humanos e saindo para uma corrida logo em seguida, para depois, atacar novamente.
- Ohh, você pode imaginar espetáculo mais bonito que este??? – dizia emocionado.
Porém, ainda mais coisas afligiam a vida de nosso estimado amigo: ele amava! Oh sim, como todos os seres viventes do universo, em todas as letras de pagode, o Lobisome Alienígena Gay tinha uma alma gêmea. Pelo menos, ele achava que tinha.
O problema era que, sua alma gêmea, era um dos filhotinhos aliens vorazes cuspidores de ácido que viva a tocar horror por aí. Pois como vocês se lembram, ele era um Lobsome Alienígena Gay, mas o que não foi revelado, que era ainda por cima, pedófilo.
Não é de se estranhar que tal fixação, causou ao nosso amigo prafrentex muitos problemas, além de burburinhos incontroláveis na comunidade trevosa galáctica, devido ás criticas inflamadas que provinham da associação de pais e mestres trevosos galácticos.
Mas o Lobsome Alienígena Gay, decidiu ignorar todas essas manifestações de uma sociedade hipócrita e opressora, e fazer o que dizia seu coração! Decidiu correr atrás de seu amor verdadeiro, decidiu ir atrás daquele juvenil alienzinho que estava a mil!!
Para sua infelicidade, o alienzinho vistoso, não estava tão afim dele, e lhe atirou um jato de ácido, vorazmente, na cara.
- Lazarento, me cegaste!!!! Foi a última coisa que ouvimos de nosso amigo homotrevosointergaláctico.
Realmente foi um final infeliz para o tio. Mas que sirva de lição, para tantos outros tios Lobsomes, comunidade trevosa inter-galactica a fora.
“As vezes, melhor dexa queto. E que usem máscaras.”
Era uma vez um Lobisome Alienígena Gay que fazia tudo que você pode imaginar. E quando eu digo tudo, digo que você ficaria surpreso!
O peludinho em questão, era muito esclarecido sobre as coisas da vida, como também das da morte. Andava para os lados sem problemas, como se estivesse em elevadores laterais imaginários.
O problema, é que apesar de ser super prafrentex , cabeça aberta, hype e século XXI, ele tinha um problema: ainda assim, sofria das coisas do coração. Além de ser hipertenso, era dramático.
Pobre, se emocionava ao ver as larvinhas de Aliens explodindo vorazmente o peito de seres humanos e saindo para uma corrida logo em seguida, para depois, atacar novamente.
- Ohh, você pode imaginar espetáculo mais bonito que este??? – dizia emocionado.
Porém, ainda mais coisas afligiam a vida de nosso estimado amigo: ele amava! Oh sim, como todos os seres viventes do universo, em todas as letras de pagode, o Lobisome Alienígena Gay tinha uma alma gêmea. Pelo menos, ele achava que tinha.
O problema era que, sua alma gêmea, era um dos filhotinhos aliens vorazes cuspidores de ácido que viva a tocar horror por aí. Pois como vocês se lembram, ele era um Lobsome Alienígena Gay, mas o que não foi revelado, que era ainda por cima, pedófilo.
Não é de se estranhar que tal fixação, causou ao nosso amigo prafrentex muitos problemas, além de burburinhos incontroláveis na comunidade trevosa galáctica, devido ás criticas inflamadas que provinham da associação de pais e mestres trevosos galácticos.
Mas o Lobsome Alienígena Gay, decidiu ignorar todas essas manifestações de uma sociedade hipócrita e opressora, e fazer o que dizia seu coração! Decidiu correr atrás de seu amor verdadeiro, decidiu ir atrás daquele juvenil alienzinho que estava a mil!!
Para sua infelicidade, o alienzinho vistoso, não estava tão afim dele, e lhe atirou um jato de ácido, vorazmente, na cara.
- Lazarento, me cegaste!!!! Foi a última coisa que ouvimos de nosso amigo homotrevosointergaláctico.
Realmente foi um final infeliz para o tio. Mas que sirva de lição, para tantos outros tios Lobsomes, comunidade trevosa inter-galactica a fora.
“As vezes, melhor dexa queto. E que usem máscaras.”
domingo, 9 de agosto de 2009
Vazio Muito Cheio
Decidiram repensar a brincadeira.
Ela em um canto, ele no outro.
Cada um em um canto de uma sala.
Então eles começavam a atirar flores mortas um na direção do outro na esperança de conseguir atingir algo pelo menos perto do coração.
Eles sabiam o nome um do outro, se conheciam.
Ele conhecia cada parte do corpo dela, ela conhecia cada parte do corpo dele.
Mas ainda assim, parecia que faltava alguma coisa, eles eram completos estranhos quando suas bocas ficavam livres.
Passavam tardes e tardes meio atordoados pelo efeito do líquido que era produzido quando os dois estavam juntos.
Mandavam bilhetinhos, trocavam mensagens e cartas, mesmo assim não se sentiam perto o bastante.
Havia um bonequinho intermediário, ela depositava todos os pensamentos dentro dele, depois ele tentava ouvir, mas o brinquedo confundia tudo.
A timidez dela era o câncer dele.
Então o tempo foi passando, as flores mortas, o líquido, o bonequinho, as mensagens, tudo isso foi criando uma sensação familiar, uma coisa a que os dois já estavam acostumados.
Ele não podia viver sem o vazio dela, ela não podia viver sem o vazio dele.
Ele não podia viver sem o cheiro dela, ela não podia viver sem o cheiro dele.
Ou o cheiro das flores, eles não sabiam mais, não sabiam diferenciar.
Então ele morreu, assim do nada, ele simplesmente morreu, se foi, morreu.
Ela nunca se sentiu tão vazia, pois agora não havia mais o vazio dele para preencher o seu.
Então ela ficou ali, parada, no canto da sala, esperando, catatônica, esperando que um dia as flores mortas voltassem a ser atiradas, esperando que algum dia algum vazio viesse preencher o seu.
Mas nenhum vazio nunca veio, e ela ficou a esperar para sempre.
E ele morto, batendo do lado de fora do coração dela para poder entrar, mas ela não ouvia, não percebia, estava apenas esperando um vazio que já não estivesse tão cheio.
Ela esperando, ele batendo, ela não ouvindo, ele gritando, ela esperando, ele batendo.
Morto, ele batendo completamente morto. Dentro do coração dela.
Silêncio.
E o que aconteceu?
Acho que não aconteceu nada.
Ele morreu.
*Texto originalmente postado em 26 deOutubro de 2005, em www.naomesquecerderespirar.blogspot.com, mais precisamente neste link-> VAZIO MUITO CHEIO
definitivamente, alguns dos melhores comentários. há
Ela em um canto, ele no outro.
Cada um em um canto de uma sala.
Então eles começavam a atirar flores mortas um na direção do outro na esperança de conseguir atingir algo pelo menos perto do coração.
Eles sabiam o nome um do outro, se conheciam.
Ele conhecia cada parte do corpo dela, ela conhecia cada parte do corpo dele.
Mas ainda assim, parecia que faltava alguma coisa, eles eram completos estranhos quando suas bocas ficavam livres.
Passavam tardes e tardes meio atordoados pelo efeito do líquido que era produzido quando os dois estavam juntos.
Mandavam bilhetinhos, trocavam mensagens e cartas, mesmo assim não se sentiam perto o bastante.
Havia um bonequinho intermediário, ela depositava todos os pensamentos dentro dele, depois ele tentava ouvir, mas o brinquedo confundia tudo.
A timidez dela era o câncer dele.
Então o tempo foi passando, as flores mortas, o líquido, o bonequinho, as mensagens, tudo isso foi criando uma sensação familiar, uma coisa a que os dois já estavam acostumados.
Ele não podia viver sem o vazio dela, ela não podia viver sem o vazio dele.
Ele não podia viver sem o cheiro dela, ela não podia viver sem o cheiro dele.
Ou o cheiro das flores, eles não sabiam mais, não sabiam diferenciar.
Então ele morreu, assim do nada, ele simplesmente morreu, se foi, morreu.
Ela nunca se sentiu tão vazia, pois agora não havia mais o vazio dele para preencher o seu.
Então ela ficou ali, parada, no canto da sala, esperando, catatônica, esperando que um dia as flores mortas voltassem a ser atiradas, esperando que algum dia algum vazio viesse preencher o seu.
Mas nenhum vazio nunca veio, e ela ficou a esperar para sempre.
E ele morto, batendo do lado de fora do coração dela para poder entrar, mas ela não ouvia, não percebia, estava apenas esperando um vazio que já não estivesse tão cheio.
Ela esperando, ele batendo, ela não ouvindo, ele gritando, ela esperando, ele batendo.
Morto, ele batendo completamente morto. Dentro do coração dela.
Silêncio.
E o que aconteceu?
Acho que não aconteceu nada.
Ele morreu.
*Texto originalmente postado em 26 deOutubro de 2005, em www.naomesquecerderespirar.blogspot.com, mais precisamente neste link-> VAZIO MUITO CHEIO
definitivamente, alguns dos melhores comentários. há
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quarta-feira, 5 de agosto de 2009
Ignorância
Acredite, meu caro amigo, alguma vez eu já menti pra você?
Então ouça muito bem o que eu tenho pra te dizer:
O melhor truque, a melhor resposta, a melhor estratégia ainda é ignorar!
Vai que vai, amigo, que ignorando você chega lá!
Então ouça muito bem o que eu tenho pra te dizer:
O melhor truque, a melhor resposta, a melhor estratégia ainda é ignorar!
Vai que vai, amigo, que ignorando você chega lá!
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Contadores e Ilusionistas
Jogos funcionam apenas quando os dois lados arranjam uma maneira de trapacear. Não precisa ser exatamente pungente, é apenas necessário fingir saber o que está fazendo, e ser bastante convincente. Nisto, cada pedaço irá acreditar, e exercer a ilusão de estar tomando um pouco de poder. Um poder que não é o que parece ser.
Ele chegou e mostrou tudo o que tinha, mostrou seus tesouros escritos, suas tão preciosas letras. Tudo o que ele pensava, tudo o que ele achava, tudo o que ele talvez nem entendesse, mas queria dizer.
- Não sabia que você escrevia. Não sabia que você escrevia assim.
- Escrevo, sempre escrevi. Mas nunca te mostrei.
Ela sentiu-se estranha, nem ela entendeu o porque. O que significava tudo aquilo?
Era como se ele estivesse lambendo os olhos dela.
Ele surpreendeu sua Contadora de histórias com suas próprias palavras. Desde então, os finais nunca mais tiveram o mesmo sabor de impermeabilidade esnobe. A Contadora de histórias havia sido facilmente surpreendida pelo Exibicionista mais secreto da cidade. E porque não do mundo?
Ela percebeu que nunca soube nada sobre aquele menino. O que bastava eram suas suposições, pelo menos, era como pensava. Aquilo serviu para mostrar que por mais clichê e obvio que pareça, as pessoas realmente nunca são o que parecem. São todas ilusionistas, algumas mais inconscientes apenas.
É apenas a possibilidade de descobrir uma partícula da essência de alguém, que nos leva a querer conhecê-lo.
Entrar em jogos nem sempre parece voluntário, mas é absolutamente espontânea a relutância em admitir os seus desejos.
E foi exatamente assim que a Contadora de histórias foi peculiarmente enlevada pelo Exibicionista mais secreto da cidade.
E foi assim que o Exibicionista mais secreto da cidade se desmanchou por cada palavra que proferia a Contadora de histórias.
Curiosidade em seus olhos, sempre foi um convite irrecusável para a minha língua.
Ele chegou e mostrou tudo o que tinha, mostrou seus tesouros escritos, suas tão preciosas letras. Tudo o que ele pensava, tudo o que ele achava, tudo o que ele talvez nem entendesse, mas queria dizer.
- Não sabia que você escrevia. Não sabia que você escrevia assim.
- Escrevo, sempre escrevi. Mas nunca te mostrei.
Ela sentiu-se estranha, nem ela entendeu o porque. O que significava tudo aquilo?
Era como se ele estivesse lambendo os olhos dela.
Ele surpreendeu sua Contadora de histórias com suas próprias palavras. Desde então, os finais nunca mais tiveram o mesmo sabor de impermeabilidade esnobe. A Contadora de histórias havia sido facilmente surpreendida pelo Exibicionista mais secreto da cidade. E porque não do mundo?
Ela percebeu que nunca soube nada sobre aquele menino. O que bastava eram suas suposições, pelo menos, era como pensava. Aquilo serviu para mostrar que por mais clichê e obvio que pareça, as pessoas realmente nunca são o que parecem. São todas ilusionistas, algumas mais inconscientes apenas.
É apenas a possibilidade de descobrir uma partícula da essência de alguém, que nos leva a querer conhecê-lo.
Entrar em jogos nem sempre parece voluntário, mas é absolutamente espontânea a relutância em admitir os seus desejos.
E foi exatamente assim que a Contadora de histórias foi peculiarmente enlevada pelo Exibicionista mais secreto da cidade.
E foi assim que o Exibicionista mais secreto da cidade se desmanchou por cada palavra que proferia a Contadora de histórias.
Curiosidade em seus olhos, sempre foi um convite irrecusável para a minha língua.
quarta-feira, 29 de julho de 2009
Sabonete especial
Tem tanta coisa escondida que dava para explodir a Santa Casa.
Miseriocórdia.
Urticária, nada de banho, bichinhos andando em baixo da pele
Bomba atômica nas suas casas sem corações
Sem corações
E nada mais vai coçar
quarta-feira, 22 de julho de 2009
Velocidade Negativa
Lembre de tudo que te da vontade de vomitar. Daquele cheiro e daquele gosto que eram nojentos.
Tudo que aconteceu, um dia, tudo que aconteceu, até agora, simplesmente parece não ter acontecido.
Então uma sensação estranha se junta à ânsia. Você sabe que tudo vai começar a girar. Você sabe que tudo vai começar a girar ao contrário.
È melhor você apertar bem os cintos, pois estão correndo em direção ao Apocalipse. Ele está chegando para você meu bem. Só para você.
Tenho um lugar privilegiado de onde posso ver tudo acontecer. Eu tenho um lugar privilegiado para sentir tudo o que está acontecendo.
Você finge que não sente o gosto. Finge que não sente ânsia.
Isto é apenas sobre garotinhos chorões que tem memória fraca. Isto é apenas sobre gente sem força para se manter longe da sujeira.
Assista e não tire conclusões. Leve-os aos seus destinos. Leve-os aos seus quartos.
Alguém tenta te dizer que isto não está certo, e você sabe que nada está certo, mas é exatamente assim que as coisas funcionam.
O cheiro ruim, o cheiro ruim e o cheiro de grama. Você tenta lembrar, você não quer lembrar de mais nada.
Só tem certeza que agora está tudo indo direto praquele buraco. Um buraco bem grande no meio da terra, do céu, ou do nada.
Você está inconscientemente dirigindo ao contrário e sem vontade. Tudo está zunindo nos seus ouvidos. Velocidade negativa.
E a única coisa que você espera é que tudo acabe com uma explosão.
quinta-feira, 16 de julho de 2009
Estando perto, parto
Descobriu que era ainda pior que o vento
Não era fumaça, era uma brisa vagabunda e sem força
Sem marcas
nenhuma
Sem boca
alguma
Sem nada
ainda
Sem cores
por cima
...
I've waited hours for this
I've made myself so sick
I wish i'd stayed asleep today
I never thought this day would end
I never thought tonight could ever be
This close to me
But if I had your face
Then I could make it safe and clean
If only I was sure that my head on the door was a dream to
*Close to me, The Cure
sábado, 13 de junho de 2009
Tempos Fodidos
Quantas vezes por segundo ele consegue dizer que não tem dinheiro?
Quantas vezes ele pode dizer? Quantas vezes você pode contar em dez minutos?
Quantas vezes ele consegue dizer?
Por horas, você pode contar quantas vezes ele não tem dinheiro.
Ele não tem dinheiro, você sabe. Ele sabe e não para de falar.
Quantas vezes ele consegue não ter dinheiro em dois segundos?
Quantas vezes ela consegue te esquecer em um dia?
Você sabe, ela diz, eu simplesmente não posso. Faço o que consigo.
Quantas vezes você consegue não existir em meia hora?
Quantas vezes ela te diz que não esqueceu em cinco minutos?
Eles não existem, meu bem. Para você.
Quanto tempo você consegue existir?
Em dois segundos.
Quantas vezes eles conseguem te lembrar até te esquecer completamente?
sexta-feira, 5 de junho de 2009
É tudo mentira
Acho que toda a história é mentira.
Pelo menos parece tão alheia a mim... Eu realmente não sou daqui
Não mesmo..
E tudo aquilo: Roma, Idade Média, Renascença, Grandes Navegações, Colônias açucareiras, Aritmética, anos oitenta, 2003...
Parece que alguém um dia sentou e decidiu escrever um livro...
E daí inventou toda essa palhaçada.
Como quando você e seu amigo bêbado percebem no final da noite que todo mundo tinha a "Pira Show de Thruman", e ainda começam a falar pras outras pessoas passando:
- Caaaraaa, você também achava que todo mundo era alienígena com máscaras numa peça, não, não, numa experiência assim, e daí só você que era de verdade???
O problema é que tem gente que acha isso até hoje.
O prblema é que elas não tiveram a idéia do filme antes.
Maldito Jim Carey
terça-feira, 2 de junho de 2009
Não estou curtindo com você
Mauricel era um chato.
Ele era um chato e gostava de ser chato.
Mauricel atravessava a rua para não cumprimentar conhecidos.
Ele era um chato e não estava pedindo para gostarem dele.
Mauricel odiava encontrar seus amigos no banheiro antes da aula começar. Então, tinha que andar ao lado deles até a sala e ficar conversando no corredor.
Ele era um chato e odiava encontrar pessoas no corredor.
Existem momentos sagrados só seus. Andar com o vento na cara, sozinho, até a tortura da aula começar, era um direito seu. Todo seu. De Mauricel.
Odiava quando as pessoas interagiam, quando entendiam as piadas... Quando conheciam as músicas e olhavam abobadamente esperando um sentimento recíproco.
Odiava o estúpido sentimento humano de união e equipe. “Juntos somos mais fortes!”. Quanta besteira! Gincanas e rivalidades entre cursos e instituições lhe davam vontade de vomitar.
Crianças bochechudinhas meladas e ranhentinhas tentando estabelecer contato... Ahhh Mauricel... Chute no queixo!
Ele era um chato. Mauricel era um chato.
Favor não sentar ao seu lado no ônibus.
Ele era um chato.
E por isso todo mundo gostava de Mauricel.
Aquelasmeninaslá
Clarissa, a mocinha do post abaixo, é uma gargalhada de deboche. Uma gargalhada, um tapa e um foda-se. É tudo isso bem na cara dos professores, na cara da associação de pais e mestres, tios, vós, vizinhos e presidentes. De toda essa gente que não sabia nada sobre nós. De toda essa gente mentirosa que não sabe nada sobre nada.
*-O que é que você está fazendo aqui, meu bem? Você não tem nem sequer idade para saber como a vida fica ruim depois.
“É verdade! Pensei. Eu nem sabia como ia ficar ruim depois, que bosta, crianças não sabem de nada mesmo e...” Meus pensamentos revoltados foram interrompidos segundos depois pela continuidade da leitura:
-Evidentemente, doutor – disse-, o senhor nunca foi uma garota de 13 anos.
Foi o soco. Era verdade. Eu não lembrava como era ser uma garota de 13 anos. Já passou tanto tempo. Como é ser uma garota de 13 anos. Como é ruim ser uma garota de 13 anos. Todo o desespero claustrofóbico de ser uma garota de 13 anos.
E ainda ter que fazer Educação Física.
“Tem um menino lá na escola. Ele é tão bonito... ele é tão legal...”
Ser xingada como se fosse a pior pessoa do mundo por estar usando maquiagem demais, roupas apertadas e curtas demais.
“Tem um menino la na escola... E ele não sabe como eu sou legal... e como eu sou... bonita...”
Ser xingada como se fosse a pior pessoa do mundo por não estar usando maquiagem nenhuma, roupas largas demais, por querer andar descalço e ser um pato desengonçado.
“Todas as meninas bonitas e legais já sabem. Todas as Lolitinhas já sabem. Todas as ninfetinhas da escola já perguntaram o nome dele e sabem onde ele mora...”
Coxas grossas e canelas finas. Nenhuma mãe combina e nem entende a filha. Isto é uma lei absoluta universal, e se for quebrada, pode ser o fim do mundo.
“Mas ele nunca vai saber, oh não, como eu sou legal. Ele nunca vai saber o meu nome. Muito menos onde eu moro...”
O perigo para as garotinhas está logo ali, do outro lado da cerca. Você não sabe o que eles querem e nem o que pensam. Você não sabe nada sobre você. O que eles sabem sobre você.
"Ele é tão bonito e legal. Ele sempre passa pela grama e ele sempre vai ficar no meu caderno..."
- Uma das coisas que eu mais tenho medo na vida, são mulheres. Você já entrou em um banheiro feminino? É assustador. Todos aqueles cabelos, todo aquele veneno. Cheguei a essa conclusão em um recreio na 8ª série.
"Meu caderno com desenhos e segredos tão secretos. Os segredos mais secretos do mundo, sobre a idiota mais secreta do mundo. E ninguém nunca conseguiria derrubar este tão sólido muro."
Você não sabia que era errado. Nem que era perigoso. Se soubesse, nunca teria entrado, ou seguido aquele garoto.
"O segredo mais secreto e errado do mundo. O segredo mais secreto, mais errado e perigoso. Ele sempre passa no meu caderno. Ele sempre passa no meu caderno..."
Nenhum menino, nenhum, nunca, nunca vai saber o que é ser uma garota de 13 anos. Nenhum menino vai saber como é, estar livre, mas muito presa a um quarto, uma casa, um mundo com todos os segredos mais secretos, perigosos e sujos. Ninguém espera nada, mas todo mundo espera que você saiba exatamente o que fazer. Ninguém te diz nada sobre nada. Ninguém existe para você, você é uma garota de 13 anos.
Depois você faz 14, faz 15, faz 16, 17, 18...
O desespero claustrofóbico
Sempre
Garotas
Não existem
*As Virgens Suicidas, Jeffrey Eugenides
quarta-feira, 27 de maio de 2009
Quem espera, sempre alcança

Clarissa esperou a vida inteira que sua vida fosse grandiosa.
A mãe de Clarissa esperou a vida inteira que a vida de sua filha fosse grandiosa.
O mundo sempre esperou que a vida de Clarissa fosse grandiosa.
Ainda assim, Clarissa só esperava passar de ano.
O pai de Clarissa esperou a vida inteira que a vida de sua filha fosse grandiosa, afinal, ele esperava um retorno moral e financeiro.
Como dizia o ídolo de Clarissa:
VIDAS PEQUENAS NÃO MERECEM FRAMES
E todos esperavam, e esperavam. Esperavam ansiosos, esperavam angustiados e aflitos, e de tanto esperarem, Clarissa decidiu contar o que esperava de seu futuro tão grandioso e magnífico, decidiu contar o que habitava seus sonhos mais sinceros e escondidos.
Clarissa disse de uma só vez, sem rodeios nem sala:
- Quero ser uma vadia drogada. Quero ser grandiosamente uma vadia drogada. Incomensuravelmente vadia, incomensuravelmente drogada. A maior de todas as vadias, a santa das vadias drogadas.
Certamente ninguém esperava sonho tão... peculiar e egocêntrico se assim pode ser chamado. O fato é que Clarissa sentia que devia ser uma vadia drogada, sentia isso bem dentro de si, vindo de seu âmago, estava em seu destino ser isso e nada mais.
O problema é que Clarissa não conseguiu. Não se sabe bem ao certo como, mas Clarissa acabou sendo desviada de seu tão magnífico destino. Se a culpada foi ela, ou forças maiores que monopolizavam o poder moral, emocional, social ou finaceiro, não se sabe. Só se sabe que a Clarissa não foi permetido alcançar sonho tão grandioso que habitava seu interior de menina.
Clarissa acabou virando analista de sistemas e morreu devido a uma parada cardíaca, proveniente do alto nível de colesterol em seu sangue, cujas culpadas eram as coxinhas vendidas na cantina mal cuidada e sebosa de seu escritório, cinza, normal e nem um pouco grandioso.
Clarissa morreu de vergonha e tédio.
È... não era o que ninguém esperava. Realmente, foi algo inesperado e ignóbil.
Pobre Clarissa. Foi demais para seu coraçãozinho belo, puro e frondoso.
Quem espera... sempre alcança...
anh... enh... uhn...
...é melhor mudar de assunto...
* Publicado em: http://palanquemarginal.com.br/
- Conto 03, primeira semana de Junho de 2009
*Texto originalmente postado em 29 de novembro de 2005, em www.naomesquecerderespirar.blogspot.com, mais precisamente, neste link -> QUEM ESPERA SEMPRE ALCANÇA
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sexta-feira, 15 de maio de 2009
anoiteeodiatodosdois
Sem dormir as coisas são amarelas e moles. Sempre parece que você está bêbado flutuando em uma escada. Então quando você consegue ficar bêbado, fica bêbado duas vezes.
*Everything is a copy of a copy of a copy.
*Fight Club
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domingo, 10 de maio de 2009
Pra dentro, pra você
Outro bem velho
*www.naomesquecerderespirar.blogspot.com, originalmente em 08/03/2007
E explode
Pra dentro
Mesmo isso sendo impossível sob certos pontos de vista
E alaga
Pra dentro
Mesmo abrindo a porta da geladeira
E estraga
Pra dentro
Mesmo tentando nadar por ali
E escorre
Pra dentro
Mesmo tentando encontrar um saco
E dói
Pra dentro
Mesmo quando se pensa não estar olhando
E penetra
Pra dentro
Mesmo cutucando com uma agulha
E corrói
Pra dentro
Mesmo limpando bem com ácido
E começa a escorrer
Pra dentro
E para fora
Para todos os lados
Por um orifício quadrado meio redondo
No escuro.
E é extremamente destrutivo.
Como todas aquelas coisas esperadas idiotamente.
Que você sabe que nunca vão chegar
Porque elas simplesmente não existem.
*www.naomesquecerderespirar.blogspot.com, originalmente em 08/03/2007
E explode
Pra dentro
Mesmo isso sendo impossível sob certos pontos de vista
E alaga
Pra dentro
Mesmo abrindo a porta da geladeira
E estraga
Pra dentro
Mesmo tentando nadar por ali
E escorre
Pra dentro
Mesmo tentando encontrar um saco
E dói
Pra dentro
Mesmo quando se pensa não estar olhando
E penetra
Pra dentro
Mesmo cutucando com uma agulha
E corrói
Pra dentro
Mesmo limpando bem com ácido
E começa a escorrer
Pra dentro
E para fora
Para todos os lados
Por um orifício quadrado meio redondo
No escuro.
E é extremamente destrutivo.
Como todas aquelas coisas esperadas idiotamente.
Que você sabe que nunca vão chegar
Porque elas simplesmente não existem.
quarta-feira, 29 de abril de 2009
Tamanhos relativos
Com o tempo todas as coisas parecem pequenas e estúpídas
Você ri só de lembrar de como pode se importar com algo tão pequeno
Como você pode se importar com algo tão imbecil...
Sentir vergonha...
E culpa
As coisas eram grandes porque você era pequeno
E como agora as coisas não podem ser grandes porque você tem muitas...
Muitas coisas pequenas para fazer
...e para não se importar...
Vidas pequenas, esse é o segredo em ser "crescido". Não se importar com nada que seja pequeno demais. Não transforme isso em algo grande demais.
...lave a louça...
...grande idéia...
estúpída
quarta-feira, 15 de abril de 2009
Problemas na vista
Pra fazer este tal trabalho do livro, acabei achando um monte de textos velhos, bem engraçados...
Etou postando eles agora, depois de um longo, longo tempo, e de nem lembrar mais que existiam...
E tudo o que eu tenho não presta pra nada, nem ao menos um centavo. Voltar para casa sozinha a noite, com frio, pular o muro e pegar em uma lesma
I´m your fake plastic love
I´m your fake plastic love
My love
Whith plastic problems
Com isso bem trancado dentro de uma caixa você pode ficar calmo, pois não vaza e é radioativo.
Ele se desespera mesmo com coisas idiotas, como pessoas na fila do mercado que perguntam qual ônibus vai para o centro. Aquilo deveria ser proibido, deveríamos ter o direito de permanecer em paz, sem ter de responder a perguntas de velhas idiotas durante as compras.
E mesmo quando você está parado, apenas esperando que nada aconteça para poder continuar com isso, você percebe que o tempo inteiro estava torcendo pra que tudo desse errado.
Então, foi isso, ele levou um tiro bem na sua frente, e ainda que alguém tente fingir não estar aliviado pela morte não ter sido sua, você não pode negar. È realmente incrível como as pessoas tem problemas na vista hoje em dia. Principalmente os assaltantes.
Nariz escorrendo....
Etou postando eles agora, depois de um longo, longo tempo, e de nem lembrar mais que existiam...
E tudo o que eu tenho não presta pra nada, nem ao menos um centavo. Voltar para casa sozinha a noite, com frio, pular o muro e pegar em uma lesma
I´m your fake plastic love
I´m your fake plastic love
My love
Whith plastic problems
Com isso bem trancado dentro de uma caixa você pode ficar calmo, pois não vaza e é radioativo.
Ele se desespera mesmo com coisas idiotas, como pessoas na fila do mercado que perguntam qual ônibus vai para o centro. Aquilo deveria ser proibido, deveríamos ter o direito de permanecer em paz, sem ter de responder a perguntas de velhas idiotas durante as compras.
E mesmo quando você está parado, apenas esperando que nada aconteça para poder continuar com isso, você percebe que o tempo inteiro estava torcendo pra que tudo desse errado.
Então, foi isso, ele levou um tiro bem na sua frente, e ainda que alguém tente fingir não estar aliviado pela morte não ter sido sua, você não pode negar. È realmente incrível como as pessoas tem problemas na vista hoje em dia. Principalmente os assaltantes.
Nariz escorrendo....
Perfeito
Mais um dos velhos achados...
Então cada vez mais, aquele demoniozinho, aquela vozinha insuportável dentro de você, aquela coisinha que você adora, porque ela é diabólica e malvada, ela é pura e verdadeira...
Então essa verdadeira benção, essa verdadeira porra, essa verdadeira bosta de Deus, que você ama com todas as suas forças porque ela reflete tudo, e tudo de um jeito realmente surreal...
Então cada vez mais ela te diz para fazer aquilo.
Para rasgar o seu peito, que está queimando, em milhões de fagulhas, está ardendo, e ela continua dizendo para você arrebentar ele bem no meio, com toda a sua força e deixar tudo escorrer.
Tudinho
E a voz é tão sedutora, e tão sexy, tão boa e tão perversa. Ela te promete milhões e milhões de chocolates e doces, milhões de comidas, sonos, orgasmos e o que mais existir de bom. E você só quer uma arma. Você quer muito uma arma para atirar em muitos filhos de Deus que ver por aí.
Você só quer quebrar tudo, e ah, como seria bom sentir alguma coisa sendo esmagada embaixo dos seus tênis baratos. Ah, como você queria sentir alguma coisa sendo esmagada ou explodida. Principalmente se isso fosse a sua cabeça.
Porque você é um bosta. Um bosta fodido e egoísta. Você não tem salvação nem futuro.
Mas quando eu digo que você não presta, é porque você realmente não presta, porque eu só digo as coisas quando eu tenho muita certeza, muita razão mesmo, eu não digo falácias.
Você não pode ir a lugar algum. Você só vai tentar, se enganar, e se foder.
Bem, quando eu digo: Você não tem salvação, é porque você não tem salvação. Não mesmo. Então, pense em alguma coisa realmente grande e imbecil, porque a única coisa que presta em você é essa vozinha podre, tão linda que dá vontade de comer.
Dá vontade de comer.
Então cada vez mais, aquele demoniozinho, aquela vozinha insuportável dentro de você, aquela coisinha que você adora, porque ela é diabólica e malvada, ela é pura e verdadeira...
Então essa verdadeira benção, essa verdadeira porra, essa verdadeira bosta de Deus, que você ama com todas as suas forças porque ela reflete tudo, e tudo de um jeito realmente surreal...
Então cada vez mais ela te diz para fazer aquilo.
Para rasgar o seu peito, que está queimando, em milhões de fagulhas, está ardendo, e ela continua dizendo para você arrebentar ele bem no meio, com toda a sua força e deixar tudo escorrer.
Tudinho
E a voz é tão sedutora, e tão sexy, tão boa e tão perversa. Ela te promete milhões e milhões de chocolates e doces, milhões de comidas, sonos, orgasmos e o que mais existir de bom. E você só quer uma arma. Você quer muito uma arma para atirar em muitos filhos de Deus que ver por aí.
Você só quer quebrar tudo, e ah, como seria bom sentir alguma coisa sendo esmagada embaixo dos seus tênis baratos. Ah, como você queria sentir alguma coisa sendo esmagada ou explodida. Principalmente se isso fosse a sua cabeça.
Porque você é um bosta. Um bosta fodido e egoísta. Você não tem salvação nem futuro.
Mas quando eu digo que você não presta, é porque você realmente não presta, porque eu só digo as coisas quando eu tenho muita certeza, muita razão mesmo, eu não digo falácias.
Você não pode ir a lugar algum. Você só vai tentar, se enganar, e se foder.
Bem, quando eu digo: Você não tem salvação, é porque você não tem salvação. Não mesmo. Então, pense em alguma coisa realmente grande e imbecil, porque a única coisa que presta em você é essa vozinha podre, tão linda que dá vontade de comer.
Dá vontade de comer.
quarta-feira, 1 de abril de 2009
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